Wilson Valentim Biasotto *
Dois cursos oferecidos pelo CEUD/UFMS serão alvo, no próximo ano, do Provão instituído recentemente pelo governo para avaliar a qualidade das universidades brasileiras. Que nos espera? Uma avaliação justa e criteriosa? Uma medida demagógica? Uma fórmula “mágica” para colocar num mesmo patamar escolas públicas e privadas?
O assunto tem suscitado ampla discussão no meio acadêmico e, embora já tenhamos manifestado nossa opinião a respeito, nesse mesmo espaço, desejamos registrar, mais uma vez, algumas considerações sobre o tema, já que agora envolve diretamente a nossa instituição.
A universidade brasileira assenta-se num tripé de atividades indissociáveis: ensino, pesquisa e extensão. Embora nem sempre seja mantido um equilíbrio perfeito entre essas três funções ( um determinado curso pode tender mais para a extensão enquanto outro mais para a pesquisa), a média acaba imperando.
Pesquisa-se na universidade para gerar, para produzir o conhecimento. Entende-se com isso que ela não deva ser uma mera repassadora do conhecimento acumulado ou desenvolvido alhures.
Ensina-se na universidade o conhecimento ali produzido, mesmo que esse conhecimento não seja inteiramente novo, mas recriado com criatividade. Se ficássemos reproduzindo apenas o que nos chega do estrangeiro estaríamos condenados indefinidamente ao subdesenvolvimento.
Promove-se a extensão do conhecimento produzido na Universidade porque os ex-alunos e a sociedade em geral precisam acompanhar as novas descobertas, as novas técnicas, as novas teorias, que surgem em velocidade cada vez maior.
Tão importante é a indissociabilidade entre o ensino a pesquisa e a extensão dentro da Universidade que esse princípio consta na Constituição do Brasil. No caput do artigo 207 de nossa Carta Magna encontra-se consagrado que “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Entende-se, por conseguinte, que qualquer avaliação séria da Universidade passe, necessariamente, pela consideração desses três elementos que constituem a sua essência. Como o Provão, instituído no governo FHC, avalia apenas o ensino, conclui-se que ele foi criado para beneficiar aquelas instituições de ensino superior que não cumprem o determinado pela Constituição, que relegam a pesquisa e a extensão universitária e dedicam-se apenas a repassar conhecimentos.
Portanto podemos inferir que, mesmo se vierem a receber o conceito A, os cursos de Letras e Matemática do CEUD/UFMS serão avaliados apenas parcialmente.
*O autor é doutor em História Social pela
USP e diretor do CEUD/UFMS