Wilson Valentim Biasotto*
Desde o passamento de Walter Guaritá está é a terceira vez que me sento diante do computador para escrever sobre ele. Na primeira vez, por ocasião de seu passamento e, na segunda, quando da missa de sétimo dia, faltou-me ânimo. Não se trata, portanto, de terem me faltado palavras, ocorreu-me uma completa ausência de vontade para tocar no assunto. Na verdade o que se deu foi um bloqueio, uma recusa em admitir a sua morte.
Não fui amigo do Walter, conheço muito pouco de seu passado, não posso, portanto, ficar dedicando-lhes loas. No entanto, no curto espaço em que convivemos, formei uma imagem a seu respeito: era um homem apaixonado por torrão e lutava por ele.
No dia do velório, cumprimentei muitos amigos e conhecidos, mas só tive ânimo para trocar três palavras com o Junge Myasaki. Perdemos um grande companheiro, disse-lhe eu, com voz embargada. Um grande companheiro, um entusiasta, respondeu-me o Junge, com a fisionomia expressando o sofrimento de quem perde um amigo.
*O autor é doutor em História Social
pela USP e Diretor do CEUD/UFMS