Wilson Valentim Biasotto*
30.05.99
Ao término de uma palestra sobre Educação e Neoliberalismo, proferida recentemente, em determinada cidade deste estado (que não menciono por motivos óbvios) fui surpreendido com uma pergunta que me deixou meio embasbacado: “nossa cidade ainda tem cura?”
Embora desconhecendo a realidade daquela cidade, mas imaginando que não seria muito diferente de Dourados, Mato Grosso do Sul e Brasil, respondi por analogia: claro que tem cura. Apesar de todas as nossas mazelas, temos ainda uma sociedade que não se encontra totalmente enferma, portanto, a parte sadia reúne condições de fazer uma virada.
Com um pouco de otimismo procurei convencer a minha interlocutora de que havíamos restabelecido a democracia no Brasil há pouco tempo e que se caminhássemos por esse rumo, se fossemos aperfeiçoando o funcionamento de nossas instituições, em breve teríamos um país melhor. Falei ainda do nosso potencial e que o governo de Fernando Henrique não seria eterno.
Recordo-me dessas coisas por conta da conversa que tive com um amigo no último dia 29. Tínhamos ouvido o governador, Zeca do PT, por ocasião da solenidade de entrega dos projetos de novos cursos para o CEUD/UFMS. Esse meu amigo confessou-me que nunca fora petista mas que no segundo turno votara para o Zeca.
Nada surpreendente, ao menos até aí. No segundo turno das eleições muitos pedrosianistas optaram pelo PT porque Zeca representava para eles a satisfação de não terem Bacha como governador. O que me chamou a atenção na conversa foi que meu amigo concluiu dizendo que já ouvira muitos governadores falar e fazer promessas nunca cumpridas, mas que Zeca era convincente.
Meu amigo tem razão, estávamos precisando disso: de uma nova maneira de governar; de uma liderança, não de uma liderança para nos guiar como um rebanho de ovelhas, mas uma liderança capaz de restabelecer a moralidade no trato da coisa pública. Uma liderança que exerça a sua autoridade com transparência e probidade. Uma liderança que constitua um governo não somente para administrar o dia-a-dia, mas que seja capaz de planejar o estado para as próximas décadas. Uma liderança que organize o governo de tal forma que o cidadão pague os seus impostos com gosto porque vê esses impostos transformados em benefícios sociais. Uma liderança, enfim, que restabeleça a confiança do povo deste estado de forma que encontremos em nós próprios a força necessária para superarmos essa fase meio conturbada que passamos.
*O autor é doutor em História Social
pela USP e diretor do CEUD/UFMS