Wilson Valentim Biasotto*
22.06.99 (não enviada ao Diário do Povo
Dia 21 pp. a senhora Shirley Maroni Dias publicou um artigo neste espaço emitindo opinião a respeito da qualidade do ensino no curso de Análise de Sistemas do CEUD/UFMS e sobre a criação de novos cursos. A articulista pondera que o diretor do Centro “esquece de administrar os cursos que já tem em mãos” para pensar em criar cursos novos. E, finalmente, a senhora Shirley deixou-me uma pergunta: “Por que não priorizar primeiro a regularização dos cursos atuais para depois tentar outros?”
Há vinte e cinco anos exercendo o magistério no CEUD e há dois anos respondendo pela Direção, sinto-me na obrigação de prestar os esclarecimentos administrativos necessários; todavia, o que me deixa muito à vontade é que, como cidadão e pai, (de três adolescentes, sendo que um cursa também primeiro ano de um curso superior), tenho preocupações idênticas às da articulista e, quiçá, de uma parcela considerável da população de nossa região e do Brasil.
O curso de Análise de Sistemas é um curso novo, está no seu terceiro ano de funcionamento. Por via de conseqüência é natural que tenha alguns problemas. Conheci o início de funcionamento de praticamente todos os cursos do CEUD e nenhum deles começou a funcionar em condições ideais. Não conheço, aliás, nenhuma experiência de cursos novos em escolas públicas ou particulares que tenham começado a funcionar com condições plenas. Isso, entretanto não quer dizer que a qualidade do curso seja ruim.
O CEUD/UFMS ministra atualmente dezenove cursos, nove em nível de gradução e dez de pós-graduação, sendo que, destes, sete são de especialização, dois de mestrado e um de doutorado (este em convênio com a UNESP/Botucatu). Seu corpo docente é constituído por cento e doze professores, sendo noventa e seis regulares, dez substitutos e seis cedidos através de convênios. O corpo técnico administrativo é formado por sessenta e sete funcionários efetivos (inclusive os que trabalham no Núcleo de Ciências Agrárias) e cerca de quinze funcionários terceirizados. O corpo discente atinge mil e oitocentos alunos.
Interessa-nos, no momento, o quadro docente. Nesse sentido queremos dizer que falta-nos um professor na área de Análise de Sistemas, um único professor, para preenchermos nosso quadro. Abrimos dois concursos para seleção, no primeiro não houve candidatos; no segundo nenhum dos três que se apresentaram foram aprovados.
Administrativamente, teria sido facílimo preencher a vaga. Bastaria que a banca examinadora se desesperasse com a falta de professor e aprovasse qualquer um. Não foi esse o entendimento e eu, particularmente, enquanto diretor, respaldo essa atitude. Abriremos nova seleção e somente contrataremos aqueles que sejam capazes de manter a qualidade do ensino público com o prestígio que tem.
No que tange aos laboratórios para a informática, adquirimos, nos dois últimos anos, cinqüenta e cinco computadores pentium sendo que quarenta deles estão conectados à Internet, com provedor do próprio CEUD/UFMS e, para o próximo mês existe a possibilidade real de estarmos instalando nosso equipamento para videoconferências.
Quer dizer, então, que não estamos nos esquecendo dos cursos que temos e não há nada a temer quanto ao futuro do curso de Análise de Sistemas.
No que se refere a criação de novos cursos, devo esclarecer que, de fato, sou um entusiasta defensor da idéia. Dourados é polo regional e comporta. O CEUD, por sua vez tem mais cursos de pós-graduação que de graduação e isso é uma distorção. As Universidades devem estabelecer uma pirâmide onde a base maior seja preenchida com cursos de graduação e o vértice com cursos de estudos avançados. É apenas essa ordem natural que defendo.
Defendo, portanto, como dona Shirley, e a parabenizo por isso, o ensino público de boa qualidade. Só que, talvez, numa amplitude um pouco mais ampla, pensando também no número cada vez maior de alunos que terminam o segundo grau e ficam fora da Universidade.
No que concerne à crise financeira e social que assola o país, a história é outra. O que temos, por um lado, é uma vergonhosa concentração de renda e, por outro, uma equivocada política econômica do governo governo federal.