Pode parecer que foi ontem, mas já se vão seis longos e laboriosos anos desde que cerca de 3500 vestibulandos lotaram os hotéis de nossa cidade, o que levou muitas famílias douradenses a acolher os jovens vindos de todos os estados da federação, trazendo em seus corações a esperança de ingressar em nosso recém criado curso de Medicina. Vestibulandos de Dourados também eram numerosos, mas compreensivos com a natural concorrência externa.
No entorno desse vestibular todos os cuidados foram poucos. Foi montado graças a experiência da COPEVE (Comissão Permanente de Vestibular) e da atenção do reitor Jorge João Chacha, um esquema de segurança jamais operacionalizado em nossa cidade para vestibulares e que contou com o apoio logístico e tecnológico da Polícia Federal e dos Órgãos de Segurança Pública Estadual, além evidentemente de todo o aparato da própria UFMS.
No sentido figurado emprestado ao termo podemos dizer que Dourados estava efervescente nesse dia e pairava sobre os seus habitantes um sentimento alegre de conquista. A sociedade inteira podia rejubilar-se pois de alguma forma, todos nos sentíamos um tanto responsáveis pela abertura desse importante curso.
Passado o vestibular sobreveio a expectativa dos participantes, uma ansiedade que não se torna pública e notória, mas que domina cada lar; por outro lado, a satisfação dos dirigentes universitários com o estado de plena normalidade no maior vestibular até então realizado em Dourados.
E veio o resultado trazendo alegrias e renovação de esperanças. Veio o curso, duro, puxado. Vieram os obstáculos naturais, previsíveis, assim como vieram também os empecilhos gerados pelas mentes pequenas e egoístas que, infelizmente, nunca faltam. Em compensação não faltou também apoio, força de vontade de alunos, professores, políticos, enfim a luta das forças vivas de Dourados.
Se no contexto geral a caminhada foi árdua, individualmente muitos estudantes tiveram dificuldades enormes, não obstante o curso ser público e gratuito. Que esses estudantes não saiam dizendo “eu venci, vença você também”, mas que tenham aprendido com o seu sacrifício e possam dizer: “eu sofri para vencer, por isso farei o que me for possível para que o meu próximo não precise aprender com a dor”.
Mas, afinal, num misto de sacrifício, lutas, frustrações e vitórias, temos uma primeira grande conquista: 9 de março, é o dia da formatura da primeira turma, que será imortalizada na história do curso de Medicina de Dourados, pela maturidade na condução de sua luta.
Ao receber os convites para a solenidade de colação de grau de Daiane Pereira Guimarães e Luís Fernando Azambuja, dois, dentre os quatro douradenses dessa primeira turma, confesso com uma ponta de orgulho que mal consigo disfarçar, que não terei nenhum receio em entregar-lhes as doenças que meu corpo eventualmente contraia aos seus cuidados.
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