Essa é a verdade irrefutável das eleições: são muitos os candidatos para poucas vagas. E é bom que assim seja, que haja muitas opções para o eleitor poder escolher os que julgar melhores. Em conseqüência do número de candidatos ser maior que as vagas, existem mais candidatos tentando compreender e justificar o porquê de não terem sido eleitos do que aqueles agradecendo pela confiança neles depositada.
Bons candidatos às vezes recebem uma votação pouco expressiva e, por outro lado, são eleitos candidatos menos capazes.
Isso acima exposto, que para muitos é uma obviedade, pode tornar-se traumático para o candidato perdedor, principalmente para os menos acostumados com a democracia. Alguns, na ânsia de se consolarem, alegam que foram bem votados, mas não deu. Outros lamentam a falta de recursos para a campanha. Existem mil justificativas e, algumas vezes, culpam o povo pela derrota. Em virtude disso, tomo a liberdade de tecer algumas considerações a respeito do pleito, começando por dizer que embora seja tentador, jamais devemos responsabilizar o povo por não saber votar, por ser ingrato ou algo que o valha.
O povo tem os seus instrumentos próprios para escolher. Diria que todos nós temos um poder de barganha e, nesses termos, é claro que uma pessoa que não tenha a compreensão de conjuntura possa subestimar o valor de seu voto e troca-lo por alguns litros de gasolina.
Da mesma forma que o povo comum tem os seus instrumentos de avaliação, também os meios de comunicação, a Justiça, as Igrejas têm os seus, quase sempre mais sofisticados, embora nem sempre muito ortodoxos.
Veja-se por exemplo que quando um determinado político ensaiava a sua candidatura, boa parte da mídia dizia que Dourados precisava eleger um senador. Essa mesma mídia fez profundo silêncio em relação ao assunto quando o candidato ao senado era um nome diferente do que defendia.
É óbvio que a informação passada por esses profissionais formam opinião e, por via de conseqüência, o eleitor comum pode ver-se induzido a determinadas situações.
Quanto à Justiça, pode ocorrer de aplicar a Lei rigorosamente em casos de somenos, como é possível também a sua transigência em relação a casos muito mais graves, que eventualmente não lhe cheguem ao conhecimento.
Em suma, o que desejo dizer é que só resta aos perdedores exercer o famoso direito de espernear.
Agora, cá entre nós: se os instrumentos que o eleitor possui para avaliar em quem votar forem obsoletos, com certeza haverá equívoco. Compete portanto à mídia oferecer informações corretas e transparentes, e à Justiça, não permitir que a Lei seja ultrajada, de modo que os candidatos concorram em igualdade de condições. A democracia, em festa, agradeceria muito.